quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Janmashtami e a Vida de Krishna

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  Janmashtami é a data em que se comemora o nascimento de Krishna, importante figura do Oriente que – como Jesus – é contada por meio de mistérios e metáforas das escrituras e da mitologia. No caso dele, indianas. A celebração acontece no 8º dia de lua minguante do mês de Bhadon (que corresponde a agosto/setembro), variando de ano para ano. Este ano aconteceu no dia 25 de agosto.

  Krishna nasceu em uma prisão na cidade de Mathura, onde os pais – Vasudeva e Devaki – eram mantidos em cárcere pelo perverso irmão de Vasudeva, Kansa, que havia roubado o trono do pai. À época, um decreto que determinava a morte de todos os recém-nascidos do sexo masculino estava em voga, mas um episódio surpreendente narra a forma com que Vasudeva conseguiu salvar seu filho do fatídico evento: assim que Devaki teve Krishna em seus braços, miraculosamente, as portas trancadas da cela se abriram e os guardas caíram ao chão, em profunda letargia, permitindo que a criança fosse levada sem qualquer violência.

  O destino escolhido pelo pai foi uma localidade pastoril em Gokula, próximo a Brindaban, às margens do rio Yamuna. Um casal bondoso o acolheu durante os seus primeiros anos: O pastor Nanda e sua esposa Yasoda. Desde muito pequeno, Krishna já impressionava pela sabedoria precoce e exibição de poderes “mágicos”. Era levado, como qualquer criança saudável, e uma passagem especial de sua infância dá a dimensão de sua grandiosidade espiritual.
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Yasoda e Krishna
  Fazia parte da traquinagem do menino surrupiar o queijo que as queijadeiras preparavam diariamente em sua comunidade. Uma vez, no entanto, Krishna encheu a boca em excesso e Yasoda temeu que ele sufocasse. Imediatamente, ela abriu a boca do garoto e – contam as narrativas populares – que era terra o que comia. Yasoda, ao olhar para a boca aberta, pôde contemplar todo o universo. Ela então se deu conta de que aninhava em seus braços alguém muito especial.

  Ainda jovem, Krishna retornou a Mathura e libertou os pais da prisão ao derrotar Kansa. Depois de receber, no ashram (eremitério) do sábio Sandipini, a educação formal, assumiu as responsabilidades de um rei e envolveu-se em campanhas contra governantes perversos. Sua mais famosa vitória se deu na batalha de Kurukshetra (contaremos no item a seguir) junto aos Pandavas e aos Kuravas. Krishna esteve envolvido em muitas questões entre eles, atuando como aliado e conselheiro.

  Depois de cumprir a missão aqui na Terra, que havia sido designada por Deus, ele se retirou para a floresta. Ali, deixou o corpo em resultado de uma ferida acidental provocada pela seta de um caçador que, por engano, o confundira com um cedro – enquando ele repousava numa clareira.
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  “Com as melodias encantadoras de sua flauta celestial, Sri Krishna está chamando todos os devotos para o abrigo da união divina no Samadhi da meditação, para ali se banharem no bem-aventurado amor de Deus.”

  Paramahansa Yogananda em A Yoga do Bhagavad Gita

  O grande legado dessa importante figura da humanidade é ter nos deixado a divina mensagem da Yoga: o caminho da atividade correta e da meditação para a comunhão divina e a salvação. Como citamos anteriormente aqui neste blog, na publicação intitulada “O significado da vida de Krishna para o homem moderno”, toda a trajetória do mestre oriental é inspiradora pelo fato de nos mostrar que não é necessário fugir das responsabilidades da vida material para alcançarmos novos degraus na senda espiritual. Os problemas podem ser resolvidos trazendo Deus para cá, onde Ele nos colocou, como Yogananda, ainda em “A Yoga do Bhagavad Gita”, explicou: “Não importa qual seja nosso ambiente, O Céu tem de vir à mente em que reina a comunhão com Deus.”
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  O papel de Krishna na guerra de Kurukshetra *Trecho extraído do livro “A Yoga do Bhagavad Gita”, de Paramahansa Yogananda

  Os cinco príncipes Pandavas e a centena que compunha a progênie dos Kauravas foram criados e educados juntos, recebendo a orientação de seu preceptor Drona. Arjuna era superior a todos em habilidade; ninguém conseguia igualá-lo. Surgiu inveja e inimizade entre os Kauravas contra os Pandus.A seu tempo, a disputa entre os Kurus e os Pandus a respeito do governo do reino chegou ao clímax. Duryodhana, ardendo em invejoso desejo de supremacia, engendrou uma esperteza: um jogo de dados fraudulento. Por meio de astuciosa maquinação elaborada por Duryodhana e seu perverso tio Shakuni, artista consumado na fraude e no logro, Yudhisthira [o irmão mais velho dos Pandavas] foi derrotado, lance após lance, e finalmente perdeu seu reino, depois a ele mesmo e seus irmãos e, em seguida, a Draupadi, esposa deles. Desse modo, Duryodhana roubou aos Pandus o reino deles e fez com que fossem para o exílio por doze anos na floresta e passassem um décimo terceiro ano disfarçados, sem serem reconhecidos. Depois disso, se sobrevivessem, poderiam voltar e reivindicar seu reino perdido. No momento aprazado, os honestos Pandus, tendo cumprido todas as condições de seu exílio, voltaram e exigiram seu reino; mas os Kurus se recusaram a abandonar sequer um pedaço de terra que fosse do tamanho de uma agulha. 
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  Quando se tornou inevitável a guerra, Arjuna, da parte dos Pandus, e Duryodhana, da parte dos Kurus, foram em busca do apoio de Krishna à sua causa. Duryodhana chegou primeiro ao palácio de Krishna e sentou-se arrogantemente à cabeceira do leito em que Krishna estava repousando, fingindo dormir. Arjuna chegou e ficou humildemente de pé, de mãos postas, aos pés de Krishna. Quando o avatar abriu os olhos, foi portanto Arjuna que ele viu primeiro. Ambos pediram a Krishna que ficasse com eles na guerra. Krishna declarou que um lado teria seu enorme exército e o outro lado teria ele próprio como conselheiro pessoal – porque, contudo, ele não pegaria em armas no combate. Foi dado a Arjuna ser o primeiro a escolher. Sem hesitar, ele sensatamente escolheu o próprio Krishna; o ambicioso Duryodhana regozijou-se em ficar com o exército.

  Antes da guerra, Krishna serviu como mediador, para tentar resolver a disputa de maneira amigável, viajando de Dwarka para Hastinapura, a capital dos Kurus, a fim de persuadir Dhritarashtra, Duryodhana e os outros Kurus a devolverem aos Pandavas o reino que de direito era deles. Mesmo ele, entretanto, não foi capaz de levar Duryodhana, enlouquecido pelo poder, e seus seguidores a aceitarem uma decisão justa, e foi declarada a guerra. O campo em que se deu o conflito foi Kurukshetra. O primeiro versículo do Bhagavad Gita começa na véspera dessa batalha. No final, ocorreu a vitória dos Pandus. Os cinco irmãos reinaram com nobreza sob a suserania do mais velho, Yudhisthira, até que, no final de suas vidas, retiraram-se para o Himalaia e, ali, entraram nos domínios celestes.

  A batalha de Kurukshetra é narrada no épico indiano “Mahabharata” (http://www.omnisciencia.com.br/o-mahabharata/p), do qual faz parte o Bhagavad Gita – principal escritura sagrada hindu. Detalhes sobre a simbologia do evento podem ser obtidos no já citado “A Yoga do Bhagavad Gita” (http://www.omnisciencia.com.br/a-yoga-do-bhagavad-gita/p), do mestre iogue indiano Paramahansa Yogananda.
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  Inspirações sobre Krishna

  *Trechos extraídos do livro “A Eterna Busca do Homem” (http://www.omnisciencia.com.br/a-eterna-busca-do-homem/p), de Paramahansa Yogananda

  “Mestre é alguém que refinou sua consciência para receber e refletir perfeitamente a luz de Deus. O sol brilha igualmente sobre um pedaço de carvão e um diamante, mas só o diamante reflete a luz solar. A luz de Deus também brilha igualmente em todos as fases da vida, mas em algumas o reflexo é mais forte que em outras. O homem de realização reflete plenamente a luz divina.”

  “Em algum lugar, em alguma época, encarnações divinas como Jesus Cristo e Jadava Krishna desenvolveram a estatura espiritual que as predestinou nascerem como avatares. Livres das compulsões cármicas do renascimento, esses seres regressam à Terra só para ajudar na libertação da humanidade.”

  “Saber que os avatares divinos, para se tornarem perfeitos, já tiveram de passar pelos mesmos tipos de provas e experiências humanas por que passamos nos dá esperança em nossa própria luta.”

  Bibliografia:
  - A Eterna Busca do Homem: http://www.omnisciencia.com.br/a-eterna-  busca-do-homem/p
  - Todos os livros de Paramahansa Yogananda em português: http://www.omnisciencia.com.br/colecao-yogananda

  Fonte: https://www.nowmaste.com.br/janmashtami-e-vida-de-krishna/

                                                                                   Rayom Ra
                                                           http://arcadeouro.blogspot.com.br


terça-feira, 19 de setembro de 2017

Dwaraka - A Cidade de Ouro de Krishna

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  Dwaraka ou Dvãrakã (em sânscrito: “uma porta ou um portal”), também conhecida como Dvãravatî, “(a cidade de muitos portais”) foi a capital dos Yadavas que governaram o Reino de Anarta. A cidade estava situada na parte Ocidental de Gujarat e conforme o volume 16 do épico Mahabharata se encontra submersa no mar. (1) Dwaraka é das mais sagradas cidades da antiga Índia e uma das quatro “dhams” conjuntamente a Badrinath, Puri e Rameshwaram. Dwaraka foi uma cidade-estado que se estendia até Sankhodhara (Bet Dwaraka) ao norte, e a Okhanadhi ao sul.


  (1) Nota do Tradutor: Yadava “Filho ou descendente de Yadu”, a grande raça da qual nasceu Krishna. O fundador desta linhagem foi Yadu, filho do rei Yayâti de ‘Somavanza’ ou Raça Lunar. No tempo de Krishna – que seguramente não foi um personagem mítico – estabeleceu-se o reino de Dwârakâ em Guzerat; e também depois da morte de Krishna (em 3102 antes de J.C.) todos os Yâdavas existentes na cidade pereceram quando foi submergida pelo oceano. Somente uns poucos dos yâdavas, que se achavam ausentes da cidade no momento da catástrofe, escaparam para perpetuar esta grande raça. Os Râjâs de Vijaya Nâgara figuram agora entre o reduzido número de seus representantes. (Yadava é um sobrenome de Krishna por ser descendente de Yadu).
Ver em H.P.B – Glosario Teosófico. Tradução Espanhol/Português: Rayom Ra

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Templo Dwaraka

  CONTEÚDO
 
  1.   Descrição
  2.   A antiga cidade de Dwaraka
  3.   A historicidade de Dwaraka
  4.   A personalidade de Shri Krishna
  5.   A importância do patrimônio
  6.   A construção de Dwaraka
  7.   A submersão de Dwaraka
  8.   A busca por Dwaraka
  9.   As escavações da cidade submersa
  10. A descoberta de Dwaraka
  11. Dwaraka inundada por Tsunami?
  12. Achados significativos em Dwaraka
  13. Como era a cidade – Dwaraka
  14. Dwaraka – o primeiro museu patrimonial subaquático do mundo
  15. Referências

  1. DESCRIÇÃO

  Dwaraka foi também conhecida por Devaravati. Foi uma cidade portuária que tinha relações comerciais com muitas nações marítimas. É possível que esta antiga cidade portuária fosse uma entrada para reinos marítimos dentro do continente indiano ou vice-versa. Foi fundada por um clã de líderes Yadavas que abandonaram o Reino Surasena temerosos do rei Jarasandha de Magadha. O território de Dwaraka incluía a Ilha Dwaraka, também muitas outras ilhas vizinhas como a de Antar Dwipa e a área continental do Reino de Anarta. Dwaraka foi uma federação de muitas repúblicas e não um reino sob um único soberano, sendo que o título de rei da confederação Dwaraka era somente designativo. Dentro da Federação de Dwaraka estavam incluídos os estados de Andhakas, Vrishnis e Bhojas. Os Yadavas que governavam Dwaraka eram também conhecidos por Dasarhas e Madhus.

  O reino situava-se, aproximadamente, na região ocidental-norte do estado de Gujarat. A capital era Dwaravati (próxima de Dwarka, Gujarat). O Mahabharata não menciona Dwaraka como um Reino, mas como a capital dos Yadavas que governavam o Reino de Anarta. Proeminentes chefes Yadavas residentes em Dwaraka incluíam Vasudeva Krishna, Bala Rama, Satyaki, Kritavarma, Uddhava, Akrura e Ugrasena.

  2. A ANTIGA CIDADE DE DWARAKA

  A antiga cidade de Dwaraka, situada na Costa do extremo Oeste do território indiano, ocupa importante posto na história cultural e religiosa da Índia. O fabuloso planejamento arquitetônico do templo Dwaraka tem atraído turistas de todo o mundo. A cidade está associada com o Senhor Krishna, que segundo a crença, seria ele seu fundador nas 12 terras yojana recuperadas do mar. Durante aquele glorioso passado, Dwaraka foi uma cidade de belos jardins, canais profundos, diversas lagoas e palácios, que teria submergido logo após a morte do Senhor Krishna.
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  Devido a sua importância histórica e associação com o grande épico indiano Mahabharata, Dwaraka continua a atrair arqueólogos e historiadores além de cientistas. Antigas palavras sânscritas como “pattana” e “Dronimukha” têm sido usadas de modo geral para descreverem cidades portuárias litorâneas onde navios nacionais e internacionais ou barcos aportavam. A mais antiga referência ao porto de Agade provem de texto mesopotâmico, datado do meio do terceiro milênio A. C. que menciona aqueles barcos de Meluhha usados para ancoragem no porto de Agade. Escavações arqueológicas trouxeram luz acerca de um porto em Kuntasi, Gujarat, em data anterior ao período Harappan. Do mesmo modo, escavações têm revelado a existência de um estaleiro e algumas pedras-âncoras em Lothal, outro sítio Harappan.

  Existem várias referências literárias mencionando portos e muitas cidades litorâneas durante o período histórico inicial (2500 a 1500 anos A.C), entretanto, ruínas desses portos são escassas. Muitas dessas povoações situavam-se às margens do rio, ou às margens de águas paradas [prováveis lagoas], que teriam servido de excelentes e naturais cais.

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   Esses lugares altamente vulneráveis às inundações ou a outros desastres naturais não surpreendem pelas escassas evidências de ruínas acerca de suas existências. Escavações em Poompuhar trouxeram luz sobre um cais situado na margem de um antigo curso do rio Kaveri. Similarmente, escavações em terra firme na Ilha Elephanta descobriram um cais datado de séculos antes da Era Cristã. Há evidências a sugerirem que o presente cais Bet Dwarka tenha sido usado como um porto desde os primeiros períodos históricos.

  3. A HISTORICIDADE DE DWARAKA

  No início dos anos oitenta foi encontrado em Bharat, Dwaraka, um importante sítio arqueológico, o sítio da legendária cidade de Shri Krishna. Dwaraka foi submersa pelo mar logo após a morte de Shri Krishna. Essa inscrição refere-se à Dwaraka como a capital da costa oeste de Saurashtra e, ainda mais importante, estabelece que Shri Krishna viveu ali. A descoberta da legendária cidade de Dwaraka, dita como fundada por Shri Krishna é um importante marco na história de Bharat. Acabou com as dúvidas expressas pelos historiadores sobre a historicidade do Mahabharata e da real existência da cidade de Dwaraka. Isso diminuiu grandemente o hiato estabelecido na história indiana sobre a continuidade da civilização indiana desde a Era Védica até o presente.

  Agora, a mais nova evidência arqueológica comprovou-se, sobrepondo-se para além da razoável dúvida da existência da cidade histórica de Dwaraka, e lançando luz acerca das vidas do povo que habitou a “Cidade de Ouro”. Isso é terreno sagrado – a cidade a qual Krishna governou. Gujarat data de tempos pré-históricos, onde existe um dos três maiores sítios-dinossauros do mundo que inclui ninhadas de ovos, remetendo a 65 milhões de anos. A despeito do interesse no Parque Jurássico, para o devoto indiano Gujarat está intimamente ligada com um dos imperecíveis avatares da Índia – Krishna.

  Escavações em Dwaraka, iniciadas em 1981, ajudaram a aumentar a crença da lenda de Krishna e da Guerra do Mahabharat como também trauxeram amplas evidências do avanço das sociedades que viviam naquelas áreas – as povoações de Harappan, que representam algumas das maiores civilizações do mundo. Um dos primeiros postos avançados que veio a ser escavado logo após a independência, estava no distrito de Ahmedabad. Evidências sugerem que essas povoações produziram uma cultura altamente desenvolvida que era rica, não somente nas artes, mas nas ciências também. A ênfase se dava a uma bem organizada sociedade, baseada no comércio que era realizado através de seus portos.

  Dwaraka, por exemplo, era uma cidade administrativa bem planejada; seus portos consistiam de uma rocha em cume, transformada em plataforma de ancoragem para atracação de navios, um único modelo em tecnologia de portos que esteve em uso antes que os Fenícios tentassem o mesmo muito mais tarde no Mar Mediterrâneo. Os orifícios feitos pelo homem na plataforma e larga pedra de ancoragem sugerem que grandes navios deles se utilizavam para ficar atracados, enquanto pequenos barcos carregavam homens e cargas até o rio.

  A fundação feita de pedregulhos nos quais as paredes da cidade foram levantadas prova que a terra foi recuperada do mar há cerca de 3600 anos. O Mahabharata tem referências de tal atividade de recuperação em Dwaraka. Sete ilhas ali mencionadas foram também descobertas, submersas no Mar Arábico. Cerâmica achada por testes de termoluminiscência teria 3528 anos e portando inscrições em antiga escrita de civilizações do Vale do Indo; estacas de ferro e âncoras de três orifícios, nela descobertas, encontram menções no Mahabharata.

  Dentre os muitos objetos desenterrados que também provam a conexão Dwaraka com o épico é o selo gravado com a imagem de três cabeças de animais. O épico menciona que tal selo foi dado aos cidadãos de Dwaraka, como uma prova de identidade quando a cidade fora ameaçada pelo rei Jarasandha, do poderoso Reino Magadh. Dr. Rao, do Instituto Nacional de Oceanografia, que foi importante na condução de muitas das escavações submarinas, diz: “Os achados em Dwaraka e evidências arqueológicas que encontraram compatibilidades com as tradições do Mahabharata removem a dúvida persistente sobre a historicidade do Mahabharata”, (...) “Diríamos que Krishna definivamente existiu”.

  Essas evidências provam - contrariamente à dúvida - que Kusasthali, a povoação pre-Dwaraka, realmente existiu em Bet, Dwaraka. Arqueólogos concluíram que essa primeira povoação de Kusasthali foi inicialmente ocupada e fortificada, durante o período Mahabharata, e chamada Dwaraka. Após entenderem que os terraços não eram suficientes para o aumento da população, uma nova cidade foi construída, alguns anos após, na boca do rio Gomati. Esse planejado porto citadino foi também chamado Dwaraka, mais tarde adicionado à crença do fato de que o Mahabharata não era um mito, mas uma importante fonte da história.

  4. A PERSONALIDADE DE SHRI KRISHNA
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  Shri Krishna é mais bem conhecido na história religiosa e cultural da India como o Rei e Imperador de Dwaraka. Segundo os antigos textos hindus, Dwaraka foi um novo país fundado pelos chefes do clã Yadava que escaparam do Reino Surasena, temerosos do rei Jarasandha de Magadha. Foi ideia original de Vasudeva Krishna, a grande personalidade do Dwapara Yuga. Shri Krishna nasceu à meia-noite de 27 de julho de 3112 A.C. conforme a data e hora calculadas por astrônomos baseados nas posições planetárias daquele dia, gravado por Sage Viasa.

  Shri Krishna – o protetor de Mathura, o senhor de Dwaraka e narrador do Bhagavad Gita no campo de batalha do Kurukshetra, é uma das mais duradouras lendas do Bharat. Serão Krishn e Dwaraka entidades históricas reais? Para a maioria dos indianos a resposta é um inequívoco sim. Alguns arqueólogos e historiadores também estão agora inclinados a aceitar que a fé do homem comum possui de fato uma base.
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  Shri Krishna é uma personalidade eminente e se torna difícil separar o aspecto humano de sua vida do divino conceito em Krishna. Ele é um grande mistério e cada um tem tentado compreendê-lo de sua pessoal maneira segundo sua luz espiritual ou visão. Como um guerreiro não teve rival, como um estadista o mais perspicaz, como um pensador social muito liberal, como um professor o mais eloquente, como amigo nunca falhou e como um chefe de família o mais ideal.

  5. A IMPORTÂNCIA DO PATRIMÔNIO

  Dwaraka tem especial importância como um dos maiores lugares de peregrinação indu, conhecida como a capital do Reino de Shri Krishna. Foi a terra do caçador Ekalavya. Dronacarya também viveu aqui. Krishna decidiu construir uma nova cidade aqui e deitou a fundação num momento auspicioso. Ele nomeou a nova cidade: Dwaravati. Mais tarde o poeta Magha em sua Sisupalavadha, primária, descreve em siokas 31 em diante, a cidade de Dwaraka. Sioka 33 pode ser traduzida: “a cintilação amarela do forte dourado da cidade no mar, lançando luz amarela por todo o redor, parecia como se as chamas de vadavagni viessem rasgando o mar em pedaços”.

  Antes que a lendária cidade de Dwaraka fosse descoberta alguns estudiosos detinham a visão de que o Mahabharata sendo somente um mito, seria inútil procurar por peças de Dwaraka e também no mar. Outros, mantinham que a batalha do Mahabharata fora um feudo familiar extrapolando em guerra. As escavações feitas pelo Dr. S.R. Rao em Dwaraka provaram que as descrições, conforme achadas naqueles textos, não deviam ser descartadas como fossem fantasiosas, mas deviam ser tratadas em bases verdadeiras, como vistas pelos seus autores. A arquitetura da velha Dwaraka de Shri Krishna é majestosa e maravilhosa.

  Dwaraka no continente sendo um dos portos de maior comércio do período Mahabharata encontrou súbito final devido à fúria do mar. Após a guerra Mahabharata Krishna viveu por 36 anos em Dwaraka. Ao final, os Vrshnis, Bhojas e Satvatas se autodestruíram num feudo fratricida em Prabhasa, mas Krishna não interferiu para salvá-los. Os presságios da destruição previstos por Shri Krishna que aconselhou a imediata evacuação do estado de Dwarakaare estão mencionados no Bhagavata Purana. Dwaraka, abandonada por Hari (Krishna), foi engolida pelo mar. A submersão ocorreu imediatamente após a partida de Shri Krishna deste mundo.

  6. A CONSTRUÇÃO DE DWARAKA

  Interessantes descrições sobre sua construção são encontradas nos Puranas: receando o ataque de Jarasangh e Kaalayvan em Mathura, Shri Krishna e os Yadavas deixaram Mathura e alcançaram a costa de Saurasthtra. Decidiram construir sua capital na região litorânea e invocar Vishwakarma a divindade da construção. Entretanto, Vishwakarma disse que a tarefa podia somente ser completada se o Senhor do mar propiciasse alguma terra. Shri Krishna devocionou Samudradev que, satisfeito, deu-lhes a terra medindo 12 yojans, e o Senhor Vishwakarma construiu Dwaraka, uma “cidade em ouro”.

  A bela cidade ficou também conhecida por Dwaramati, Dwarawati e Kushsthali. Outra história diz que ao tempo da morte de Shri Krishna, atingido pela flecha de um caçador, próximo de Somnath em Bhalka Tirth, Dwaraka desapareceu no mar.

  A importância da descoberta de Dwaraka jaz não meramente para prover evidência arqueológica necessária a corroborar com a tradicional narrativa da submersão de Dwaraka, mas também, indiretamente, fixando a data do Mahabharata que é um marco na história indiana. Idêntica cerâmica foi achada na cidade submersa de Dwaraka. Assim, os resultados provaram que a narrativa do Mahabharata, com referência à existência da bela cidade, capital de Dwaraka de Shri Krishna, não foi um mero produto da imaginação, mas de fato existiu. A guerra Mahabharata aconteceu em 22 de novembro de 3067 A.C. e o Bhagavad Gita foi compilado cerca de 500 A.C.

  7. A SUBMERSÃO DE DWARAKA

  Após Shri Krishna partir para o reino do paraíso, e a maioria dos chefes Yadavas terem sido mortos em lutas entre eles mesmos, Arjuna foi para Dwaraka a fim de trazer os netos de Krishna e as esposas Yadavas para Hastinapur. Após Arjuna deixar Dwaraka ela submergiu no mar. Essa é a narrativa dada por Arjuna no Mahabharata:

  O mar, que tinha batido contra os cais, subitamente quebrou a contenção imposta naturalmente contra ele e irrompeu para dentro, avançando pelas ruas da bela cidade, cobrindo tudo da cidade. Eu vi os belos edifícios submergindo um a um. Em poucos momentos tudo tinha acabado. O mar tornara-se agora plácido como um lago. Não havia qualquer vestígio da cidade. Dwaraka era somente um nome; unicamente uma memória”.

  8. A BUSCA POR DWARAKA

  A cidade de Dwaraka tem estado sob investigação pelos historiadores desde o começo do século vinte. A exata localização desta cidade portuária tem estado em debates por um longo tempo. Diversas referências literárias, especialmente no Mahabharata, têm sido usadas para sugerir sua exata localização.

  Dwaraka é mencionada na Mahabharata (Mausala Parva), e um apêndice ao épico, Harivamsa, refere-se à submersão de Dwaraka no mar. Dwaraka foi uma cidade-estado que se estendia até Ber Dwaraka (Sankhoddhara) ao Norte e Okhamadhi, ao Sul. No Leste, estende-se até Pindata.  Os 30 a 40 metros de altura do monte ao flanco leste de Sankhoddhara pode ser Raivataka mencionada no Mahabharata.

  9.  AS ESCAVAÇÕES DA CIDADE SUBMERSA

  Desde 1983, a Unidade Arqueológica da Marinha do Instituto Nacional de Oceanografia está engajada na litorânea exploração e escavação da lendária cidade de Dwaraka nas águas costais de Dwaraka, em Gujarat. O mais significativo suporte arqueológico surgiu das estruturas descobertas debaixo do fundo do mar da costa de Dwaraka, em Gujarat, pela equipe pioneira conduzida pelo Dr. S.R. Rao, um dos mais respeitados arqueólogos de Bharat. Dr. Rao escavou grande número de sítios de Harappan, incluindo a cidade portuária de Lothal em Gujarat. Como exemplo, as escavações em Bedsa (próximo a Vidisha em Madhya Pradesh) encontraram ruínas de um templo de 300 A.C. no qual Krishna (Vasudeva) e Balarama (Samkarshana) foram identificados de seus mastros.
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 Pradyumna, o filho de Krishna, o neto, Aniruddha e Satyaki, outro herói Yadava, foram também identificados. O mais recente registro histórico datado de 574 D.C. ocorreu no que são chamados os pratos Palitanas de Samanta Simhaditya, Essa inscrição refere-se a Dwaraka como a capital da costa ocidental de Saurashtra e estabelece que Krishna viveu ali. A fundação feita de pedregulhos nos quais as paredes da cidade foram levantadas prova que a terra foi recuperada do mar há cerca de 3600 anos. O épico tem referências de tal atividade de recuperação em Dwaraka. Os achados em Dwaraka e evidências arqueológicas que encontraram compatibilidades com as tradições do Mahabharata removem a dúvida persistente sobre a historicidade do Mahabharata, (...) Krishna definivamente existiu.

  10. A DESCOBERTA DE DWARAKA

    Escavações em Dwaraka ajudaram a aumentar a crença da lenda de Krishna e da Guerra do Mahabharat como também trouxeram amplas evidências do avanço das sociedades que viviam naquelas áreas, tais como as povoações de Harappan. O Templo de Dwarakadhisa encerrou sua instalação pela Unidade Arqueológica Marítima (MAU) conjunta ao Instituto Nacional de Oceanografia e Pesquisas Arqueológicas da Índia. Sob a direção do Dr. Rao uma grande equipe foi formada, consistindo de arqueólogos marinhos especialistas, exploradores sob águas, fotográfos arqueólogos mergulhadores, treinados. A técnica de perícia geofísica foi combinada com o uso de ecosondas, penetradores de lama, perfiladores subfundo e detetores metálicos sob águas. (...)

  Muito embora adeptos da ciência empírica do Ocidente estabeleçam Dwaraka em 1443 A.C. ou aproximadamente há 3400 anos, antigos textos astronômicos védicos e atuais praticantes da tradição védica, estabelecem que a corrente época do Kali-yuga começou em 3102 A.C., com o desaparecimento de Shri Krishna e a subsequente submersão de Dwaraka, ocorrida pouco antes dessa data. Por consequência, Dwaraka pode ter não menos do que 5000 anos de idade. (...)

  11. DWARAKA INUNDADA POR TSUNAMI?

  Poderia um tsunami ter atingido a costa de Gurjarat em 1500 A.C. e submergido a antiga cidade de Dwaraka? Especialistas e outros participantes associados com a descoberta da cidade perdida fora da costa de Saurashtra não descartam essa possibilidade. Eles comentam de o Mahabharata dizer sobre o mar subitamente engolfar a cidade após a morte de Shri Krishna e Arjuna ter levado os netos de Krishna para Hastinapur.
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  Falando a TOI de Bangalore, Rao diz: “Não podemos descartar a possibilidade de um tsunami ter submergido a antiga Dwarka uma vez que a cidade foi inundada por alguma atividade do mar. Há “shlokas” que dizem da rapidez do incidente e da gravidade da calamidade

  O Bhagvat Purana menciona ’Ete ghora mahotpata Dwarvatyam yamaketavaha. Muhoorthamapi na atra no yadu pungava'. A tradução literal é: Essa calamidade em si tornou-se um símbolo da morte. Os Yadavas não deveriam ter ficado por aqui mesmo por um momento’. A rapidez do atual tsunami tem causado devastação similar que é o que parece ter acontecido com a antiga Dwaraka e seus habitantes”.

  Mas ele também diz que: “existem três textos incluindo o Harivansha, o Matsyapurana e o Bhagavad Gita estabelecendo que levaram sete dias para evacuar Dwaraka antes que fosse submersa pelo mar. Se supormos que Dwaraka submergiu devido a um tsunami, o movimento gradual do mar não pode ser explicado”. (...)

  12. ACHADOS SIGNIFICATIVOS EM DWARAKA

  Antigas ruínas estruturais de alguma significação foram descobertas em Dwaraka, sob águas e na terra, pela Asa Arqueológica Sob Água (UAW) da Pesquisa Arqueológica da Índia (ASI). Alok Tripathi, Arqueólogo Superintendente, UAW, disse que as estruturas sob águas encontradas no Mar Arábico estão ainda para ser identificadas. “Temos de descobrir o que elas são. São fragmentos. Eu não gostaria de chama-las uma parede ou um templo. Elas são parte de alguma estrutura”. Disse Dr. Tripathi.

  Trinta moedas de cobre foram também encontradas na área de escavação. As estruturas encontradas em terra pertenciam ao período medieval. “Também encontramos 30 moedas de cobre. Estamos limpando-as. Depois de terminarmos a limpeza poderemos poderemos dar as datas”. Disse. (...)

  13. COMO ERA A CIDADE – DWARAKA

Dentre os objetos desenterrados que provaram a conexão de Dwaraka com o épico Mahabharata

  Dentre os muitos objetos desenterrados que também provam a conexão Dwaraka com o épico é o selo gravado com a imagem de três cabeças de animais. O épico menciona que tal selo foi dado aos cidadãos de Dwaraka, como uma prova de identidade quando a cidade fora ameaçada pelo rei Jarasandha, do poderoso Reino Magadh (agora Bihar). A fundação de pedregulhos sobre os quais as paredes da cidade foram edificadas prova que a terra foi recuperada do mar há cerca de 3600 anos. O épico faz referências a tal atividade de recuperação em Dwaraka. Sete ilhas mencionadas no épico foram também descobertas submersas no Mar da Arábia. Cerâmica achada por testes de termoluminiscência teria 3528 anos e portando inscrições em antiga escrita de civilizações do Vale do Indo; estacas de ferro e âncoras de três orifícios, nela descobertas, encontram menções no Mahabharata. (...)

  14. DWARAKA – O PRIMEIRO MUSEU PATRIMONIAL SUBAQUÁTICO DO MUNDO

  O museu subaquático de Dwaraka, proposto: o primeiro no mundo dessa natureza, e um museu arqueológico marinho, trarão mais luz sobre a civilização do Vale do Indo e habilitará pesquisas para entrar-se na história da cidade perdida da Era Mahabharata. O Centro Arqueológico Marítimo e o Instituto Nacional de Oceanografia submeteram juntos uma proposta com detalhes técnicos ao governo de Gujarat para a preservação do sitio. Segundo a proposta, os tubos marinhos, de acrílico, estariam deitados a fim de que os visitantes pudessem passar por eles e verem de janelas as ruínas da cidade histórica. Paredes de acrílico poderiam também ser feitas e acessadas por barcos. Dwaraka, a cidade submersa no Mar Arábico, fora da costa de Gujarat, é bem conectada com outras partes do país. A nação inteira e mesmo países estrangeiros estão ansiosos pela preservação da cidade submersa, que não é somente de importância histórica, mas também de interesse emocional, uma vez que seu fundador foi Shri Krishna.

  15. REFERÊNCIAS

   Bibliografia
1. Dwaraka - The Eternal City, Kerala Online
2. Significant finds at Dwaraka, T.S. Subramanian
3. Report about the excavations done by Dr. S.R. Rao of the Marnie Archaeology Unit of the National Institute of Oceanography of India.
4. Dwaraka Inundated by Tsunami?, by Hari Prasad das
6. Discovering ancient secrets, Excavations prove that civilisation existed in Gujarat 4,000 years ago
Backlinks

Tradução Inglês/Português: Rayom Ra

                                                                                   Rayom Ra
                                                           http://arcadeouro.blogspot.com.br